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Pop Mart traz ao Brasil o modelo do fenômeno Labubu

Marca chinesa transformou colecionáveis em experiência, comunidade e entretenimento

Pop Mart traz ao Brasil o modelo do fenômeno Labubu
Isis Brum Publicado em 02 de Junho de 2026 às, 09h27.

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A Pop Mart, marca chinesa conhecida mundialmente pelos colecionáveis em blind boxes e por personagens como Labubu, chega oficialmente ao Brasil em parceria com a Candide, empresa brasileira de brinquedos e produtos licenciados. A estreia, marcada para este mês, coloca o mercado brasileiro na rota de uma das operações mais emblemáticas do atual varejo chinês. Também coincide com o momento em que Lyana Bittencourt, CEO do Grupo Bittencourt, ecossistema de inteligência de negócios do qual a plataforma Sua Franquia é parte, está em missão empresarial à China. A Pop Mart chinesa está prevista para visita técnica.

Combinando colecionáveis, entretenimento, comunidade e propriedade intelectual, a Pop Mart fechou 2025 com uma receita de 37,12 bilhões de yuans em 2025, o equivalente a cerca de US$ 5,49 bilhões, crescimento de 184,7% sobre o ano anterior. Para 2026, os números continuam promissores em meio crescimento global dos art toys, categoria que combina design, cultura pop, colecionismo e o fator surpresa das caixas fechadas.

A operação brasileira começa com espaços dedicados a itens da marca dentro de lojas selecionadas. A expectativa é iniciar a presença da Pop Mart em cerca de 20 endereços espalhados pelo País, ampliando o acesso do consumidor brasileiro aos produtos oficiais da companhia. A Candide é responsável por estruturar e acelerar a operação local, atuando na distribuição, no relacionamento com o varejo e na aproximação com o consumidor brasileiro.

Para a Candide, o lançamento atende a uma demanda existente entre os consumidores brasileiros, impulsionada por redes sociais, influenciadores, importações e pelo crescimento da cultura pop asiática.

Pop Mart traz portfólio amplo de colecionáveis além do Labubu

Para além dos Labubus, personagens creepy cute da marca e fenômeno global entre a geração Z, os fãs terão acesso a um portfólio mais completo, com coleções que estavam indisponíveis oficialmente no mercado local.

Entre as linhas previstas estão The Monsters, Cry Baby, Hirono, SkullPanda, Pucky e Nyota, além de collabs com marcas e personagens como Coca-Cola, As Meninas Superpoderosas, O Pequeno Príncipe e My Little Pony. A marca também trabalha com produtos licenciados inspirados em franquias como Naruto, Demon Slayer, Teletubbies e Frieren.

Para Bruno Verea, diretor de Marketing da Cadide, a força da Pop Mart está em não depender apenas de um personagem viral. “Antes mesmo do fenômeno recente de Labubu, personagens como SkullPanda e Molly já eram grandes sucessos globais entre colecionadores e ajudaram a consolidar a relevância da empresa no segmento de art toys“, afirma.

Segundo o executivo, o objetivo, no Brasil, é apresentar gradualmente esse ecossistema ao consumidor. “A construção de longo prazo acontece justamente quando diferentes públicos conseguem se identificar com diferentes estilos, personagens e universos criativos”, diz Verea

O modelo da Pop Mart observado direto da China

O diferencial da Pop Mart para o varejo está na forma como a marca transformou colecionáveis em experiência de consumo, comunidade e entretenimento. A empresa atua em uma interseção entre produto, propriedade intelectual, loja física, redes sociais e pertencimento.

“A Pop Mart se tornou um fenômeno global ao conseguir transformar colecionáveis em uma experiência cultural e emocional. A marca entendeu como conectar design, entretenimento, cultura pop e comunidade em um único ecossistema”, analisa Bruno Verea. “As lojas da Pop Mart mostram como o consumidor interage emocionalmente com a marca: o tempo de permanência, a expectativa diante das blind boxes, a troca entre colecionadores, o compartilhamento espontâneo nas redes sociais e o senso de pertencimento criado dentro do ambiente”, complementa.

Na China, esse modelo aparece de forma consolidada nas lojas e experiências da marca. O consumidor não visita uma operação da Pop Mart para comprar um produto. A ida até uma unidade física acontece porque é naquele ambiente que o cliente interage com personagens, registra a experiência, acompanha lançamentos, troca informações com outros colecionadores e participa de uma dinâmica de descoberta constante.

Em Pequim, capital do país, a companhia avançou sobre o consumo como entretenimento e criou, em 2023, a Pop Land, primeiro parque temático do mundo dedicado a designer toys, com áreas inspiradas em universos como Labubu Adventure Forest e Molly’s Castle. Com a iniciativa, a empresa construiu um ecossistema em que personagens, lojas, blind boxes, parque temático, collabs e conteúdo se reforçam mutuamente.

Em missão empresarial na República Popular da China, Lyana Bittencourt destaca a Pop Mart como uma das operações do novo varejo chinês que redefinem os padrões de varejo, consumo e relacionamento com o cliente. Para a executiva, compreender a dinâmica de mercado direto da China é essencial para lidar tanto com a competitividade que o setor começará a enfrentar também no varejo físico no Brasil quanto para evitar a armadilha da cópia. “Compreender, não copiar. Esse é o salto que separa quem observa de quem decide”, pontua a CEO no e-book O varejo chinês e o que está redefinindo o jogo global, lançado gratuitamente pelo Grupo Bittencourt.

Segundo Lyana, a China, hoje, é um laboratório de novos formatos de consumo. Em muitas operações, cultura, ambiente, comunidade, recorrência e conveniência funcionam como partes de uma mesma engrenagem comercial. Ao integrar todas essas camadas em um mesmo negócio – ou ecossistema -, o varejo chinês evidencia complexidade e maturidade no modelo de negócio enquanto entrega ao consumidor jornada simplificada, fluida, divertida e conectada a valores e comunidades.

“A ida à China gera mais valor quando o grupo observa menos a superfície exótica e mais a lógica por trás dos formatos. Em vez de perguntar apenas quais produtos ou elementos estéticos podem ser replicados, vale investigar quais mecanismos culturais e operacionais tornam essas propostas coerentes e sustentáveis”, diz a executiva.

O que muda para o mercado brasileiro

A chegada oficial da Pop Mart ao Brasil pode fortalecer o mercado nacional de colecionáveis premium, art toys e produtos licenciados, segmentos impulsionados pela cultura pop, pelas redes sociais e pelo interesse crescente do público adulto por itens de coleção.

De acordo com Bruno Verea, da Cadide, o mercado latino-americano reúne condições favoráveis para a expansão da marca. “O mercado latino-americano possui uma combinação muito favorável: forte presença digital, alto engajamento com cultura pop, crescimento do colecionismo e um público jovem conectado às tendências globais”, explica.

Neste primeiro momento, a estratégia no Brasil contempla espaços dedicados da marca dentro de lojas selecionadas, com foco em experiência, conveniência e proximidade com o consumidor.

Os produtos chegam com preços entre R$ 299,99 e R$ 799,99 e início das vendas previsto para até 5 de junho.

Saiba mais sobre o novo varejo chinês

Baixe aqui o e-book completo do Grupo Bittencourt e aprofunde a leitura sobre o varejo chinês, o China Mindset e os impactos práticos para redes brasileiras.

A matéria foi originalmente publicada no portal de notícias parceiro Estratégias & Negócios
Foto: Pop Mart China / Lyana Bittencourt

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