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Black Friday: o que a franqueadora deve padronizar e o que precisa deixar nas mãos das unidades

Elói Assis, da Totvs, aborda estratégia de vendas no franchising durante a campanha de descontos

Black Friday: o que a franqueadora deve padronizar e o que precisa deixar nas mãos das unidades
Elói Assis Publicado em 27 de Outubro de 2026 às, 22h51.

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Na Black Friday, uma rede de franquias enfrenta um dilema que vai além da definição de descontos: como manter uma estratégia consistente para a marca sem ignorar as diferenças entre as unidades? Uma campanha nacional facilita a comunicação e reforça o posicionamento da rede, mas tratar todas as lojas da mesma forma pode significar perder oportunidades em mercados com comportamentos de consumo distintos.

O desafio do franqueador é entender que padronização e flexibilidade não são necessariamente opostas. Algumas decisões precisam ser compartilhadas, como o posicionamento da marca, as regras de comunicação e os padrões de atendimento. Outras podem exigir adaptações conforme o perfil do público, a localização, a concorrência e o histórico de vendas de cada unidade.

Imagine uma rede que oferece a mesma promoção em todas as lojas, sem considerar as diferenças de demanda. Em uma região, determinado produto pode ter alta procura; em outra, o consumidor pode responder melhor a outras categorias ou condições comerciais. Uma estratégia uniforme simplifica a execução, mas não garante o melhor resultado para todos. Por outro lado, permitir adaptações sem critérios pode comprometer a identidade da marca e gerar experiências inconsistentes.

É nesse equilíbrio que os dados ganham importância. Ao analisar o desempenho histórico das unidades, a composição das vendas, o giro de produtos e as respostas a campanhas anteriores, a franqueadora consegue identificar padrões e entender onde faz sentido manter uma oferta comum ou considerar particularidades locais. A tecnologia ajuda a reunir essas informações e dar mais consistência às decisões, em vez de depender apenas de percepções isoladas.

Essa inteligência também permite avaliar os efeitos das promoções para além do faturamento. Uma oferta pode aumentar o volume de vendas, mas reduzir a margem ou concentrar a procura em produtos que não estimulam outras compras.

Para a rede, é importante compreender quais ações geram resultados sustentáveis e quais apenas deslocam vendas de outros períodos.

Isso não significa transferir toda a responsabilidade para o franqueado. Cabe à franqueadora estabelecer diretrizes claras, compartilhar informações relevantes e definir os limites para adaptações. Com uma base comum de indicadores, também é possível comparar resultados entre unidades e identificar práticas que mereçam ser replicadas, respeitando as características de cada mercado.

A Black Friday, portanto, pode funcionar como um teste da capacidade de uma rede de transformar escala em vantagem competitiva. Ter várias unidades permite ampliar o alcance de uma campanha, mas também oferece uma quantidade valiosa de informações sobre diferentes públicos e contextos de consumo.

O objetivo não deve ser escolher entre centralizar tudo ou deixar cada loja decidir sozinha. Redes mais preparadas são aquelas que sabem distinguir o que precisa ser igual do que pode ser diferente. Na Black Friday, essa capacidade pode fazer a diferença entre simplesmente reproduzir uma campanha em toda a rede e construir uma estratégia comercial que faça sentido para cada mercado.

Elói Assis* é diretor-executivo de Produtos para Varejo da TOTVS
Imagem: Canva

*O artigo publicado não reflete, necessariamente, a visão do Portal Sua Franquia, sendo de expressa responsabilidade do autor.

 

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