O L’Entrecôte de Paris está avançando em uma estratégia de expansão baseada na conversão de dark kitchens em restaurantes físicos. A rede, que possui 35 unidades, sendo 20 dedicadas ao delivery e 15 com salão, passa a transformar operações que já demonstraram maturidade comercial em unidades capazes de combinar entrega e atendimento presencial.
Para o segundo semestre de 2026, pelo menos três dark kitchens passam pelo processo de conversão, localizadas nas capitais de três estados: São Paulo, no estado paulista, Goiânia, em Goiás, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Outras quatro operações devem iniciar tratativas para seguir o mesmo caminho.
A proposta não elimina o delivery, já que o canal permanece nas unidades convertidas e passa a funcionar de maneira complementar ao salão.
A estratégia utiliza o Bistrô Petit, formato compacto desenvolvido pela marca para viabilizar a experiência presencial sem exigir a estrutura dos restaurantes tradicionais da rede. O modelo tem aproximadamente 100 m², capacidade para cerca de 50 clientes e combina uma operação enxuta com atendimento e ambientação inspirados nos bistrôs franceses.
Higienópolis vira case da conversão
Uma das operações que materializam a estratégia está em Higienópolis, na capital paulista. A unidade funcionava exclusivamente como dark kitchen e será convertida em um Bistrô Petit, mantendo o delivery e acrescentando o atendimento presencial.
Localizado na Rua Armando A. Penteado, o restaurante terá 95 m² e capacidade para 50 clientes. A abertura está prevista para o final da primeira quinzena de setembro.
“Não estamos apenas abrindo restaurantes. Estamos transformando operações que já demonstraram maturidade comercial em espaços capazes de fortalecer o relacionamento com o cliente e ampliar a percepção de valor da marca”, afirma Glaucia Fernandes, diretora executiva do L’Entrecôte de Paris.
A escolha de Higienópolis também considera características como fluxo qualificado, potencial de consumo e aderência ao posicionamento da rede. Para a empresa, a seleção do ponto comercial permanece entre os fatores determinantes para uma conversão.
Franqueada reinveste após três operações
À frente da unidade está Brisa Matos, multifranqueada que já opera outras três franquias do L’Entrecôte de Paris. Ex-bancária, ela decidiu reinvestir na marca e transformar a operação de delivery de Higienópolis em um restaurante completo.
A expectativa da empresária é alcançar faturamento mensal entre R$ 250 mil e R$ 300 mil nos primeiros meses após a conversão.
“A conversão representa muito mais do que uma mudança de formato. É a realização de um sonho e também um voto de confiança no potencial da marca. Sempre acreditamos que Higienópolis tinha vocação para receber um restaurante completo e proporcionar aos clientes uma experiência ainda mais especial”, afirma Brisa.
Com a mudança de formato, a unidade também cria 16 postos de trabalho e promove dois profissionais que já faziam parte da operação.
Bistrô Petit combina salão e delivery
O modelo adotado nas conversões procura preservar características desenvolvidas durante a expansão das dark kitchens, como controle operacional, produtividade e eficiência, enquanto acrescenta elementos ligados à hospitalidade e à experiência presencial.
Diferentemente da operação dedicada exclusivamente às entregas, o Bistrô Petit incorpora salão e atendimento ao consumidor. O delivery continua ativo, permitindo que a mesma unidade opere nos dois canais.
“O modelo Bistrô Petit nasceu da compreensão de que o consumidor quer conveniência, mas também quer experiência. Não enxergamos o delivery e o salão como modelos concorrentes. Eles são complementares. O desafio está em encontrar o equilíbrio ideal entre eficiência e relacionamento”, explica Glaucia.
A rede trabalha atualmente com três formatos: restaurante tradicional, com salão mais amplo; Bistrô Petit, que é a prioridade da expansão; e dark kitchen, dedicada ao delivery.
Conversão aproveita operações já estabelecidas
A estratégia parte de uma base que já possui presença relevante no modelo de entrega. Das 35 unidades do L’Entrecôte de Paris, 20 ainda funcionam como dark kitchens, o equivalente a mais da metade da rede.
Em vez de tratar essas operações apenas como um formato separado, a empresa passa a avaliar quais delas possuem condições comerciais para avançar para um modelo híbrido. A conversão permite aproveitar uma operação existente e adicionar o salão como uma nova frente de relacionamento e consumo.
A mudança também acompanha uma revisão do papel desempenhado pelo espaço físico no foodservice. Para a rede, conveniência, atendimento presencial e delivery passam a integrar a mesma estratégia.
Segundo a executiva, a pandemia mostrou a importância do delivery, mas também evidenciou que nenhum aplicativo consegue entregar a experiência de estar à mesa. "Acreditamos que o futuro da gastronomia está na integração entre conveniência e hospitalidade. Por isso, o delivery continua fazendo parte da operação, mas queremos oferecer ao cliente a possibilidade de viver toda a experiência que caracteriza o L'Entrecôte de Paris", afirma Glaucia.
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