A Mondelēz Brasil e a Americanas inauguraram a primeira flagship de Oreo BTS no Brasil em uma iniciativa que transforma a fachada da loja da varejista em Ipanema, no Rio de Janeiro, em uma extensão física do universo da marca. A ativação dá destaque à edição limitada de Oreo BTS, lançada recentemente no País, e mostra como o ponto de venda volta a ganhar protagonismo em estratégias que combinam consumo, cultura pop e retail media.
A fachada inteira da unidade foi tomada pela identidade visual de Oreo, criando um projeto de grande visibilidade em uma das regiões mais conhecidas da capital fluminense. A experiência ficará instalada por dois meses e busca aproximar consumidores e fãs do do grupo coreano por meio de uma ambientação que vai além da gôndola.
O movimento desloca a loja física de sua função tradicional de exposição e venda. Nesse tipo de ativação, o varejo passa a operar também como mídia, cenário, ponto de contato cultural e espaço de relacionamento entre marcas e comunidades de consumo.
Loja física vira mídia e experiência
A iniciativa faz parte de uma estratégia de retail media desenvolvida pela Americanas em conjunto com a MegaMídia. O projeto acompanha o consumidor da entrada ao checkout, combinando ativações físicas dentro da loja, formatos de mídia no site e no aplicativo da varejista, além de conteúdo patrocinado nas redes sociais.
Na prática, a campanha amplia o papel do ponto de venda. A loja deixa de ser apenas o local onde o produto está disponível e passa a funcionar como um ambiente capaz de gerar atenção, engajamento, conteúdo e lembrança de marca.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no varejo. Depois de anos em que a discussão sobre retail media ficou muito concentrada em dados, busca patrocinada, banners digitais e plataformas de e-commerce, o ponto de venda físico voltou ao centro da estratégia. A loja tem fluxo, contexto de compra, exposição real do produto e capacidade de transformar uma visita em experiência.
“A fachada de Ipanema mostra como o retail media transforma o ponto de venda em uma experiência de marca completa. Criamos uma jornada integrada que acompanha o consumidor da entrada ao checkout e vai além, alcançando as redes sociais. Essa combinação de dados, tecnologia e presença física é o que permite entregar resultados consistentes para parceiros como a Mondelēz e aproximar marcas queridas como Oreo dos seus fãs”, afirma Thiago Pinhão, gerente de Retail Media da Americanas.
Inspiração partiu de sobremesa coreana
A edição limitada de Oreo BTS foi inspirada no hotteok, tradicional sobremesa de rua coreana. Cocriado com os integrantes do grupo, o produto traz 13 relevos exclusivos nos biscoitos e embalagem especial inspirada na energia dos mercados de rua da Coreia do Sul.
A escolha da collab reforça a tentativa de Oreo de se manter conectada a conversas culturais que ultrapassam a categoria de snacks. Ao se associar ao BTS, a marca tenta se aproximar de uma comunidade global de fãs, com alto grau de engajamento e forte capacidade de mobilização nas redes sociais.
Essa dimensão cultural é central para a ativação. A experiência ganha relevância em um momento de mobilização da comunidade brasileira de fãs do BTS com o retorno do grupo ao Brasil após sete anos. Ao levar a collab para um espaço físico nesse período, Oreo conecta lançamento de produto, entretenimento, cultura pop e presença no varejo.
Para marcas de consumo, esse tipo de parceria ajuda a transformar produtos de alto giro em objetos de desejo, conversa e colecionismo. O biscoito deixa de ser apenas um item de compra recorrente e passa a carregar uma camada de pertencimento e identidade para determinados públicos.
Retail media avança para a fachada
A ativação da Americanas dialoga com um movimento que já vem aparecendo em outros formatos do varejo brasileiro, destacadamente, após a chegada do Oxxo ao Brasil. A rede implementou o conceito de lojas emblemáticas, que transformar fachadas e ambientes internos em projetos temporários de retail media em parceria com indústrias.
A ação de Oreo BTS na Americanas não é um caso isolado, portanto. Faz parte de uma tendência em que vitrines, fachadas, corredores, checkouts e áreas de alto fluxo passam a ser tratados como ativos de mídia.
A diferença é que, no caso da Americanas, a ativação combina uma marca global de snacks, uma comunidade de fãs altamente engajada e um ecossistema omnichannel com loja física, site, aplicativo e redes sociais. O ponto de venda vira ponto de partida, mas a jornada se estende para os canais digitais.
Marcas buscam vínculo além da categoria
Segundo Patrícia Menezes, diretora de Trade Marketing da Mondelēz Brasil, o ponto de venda tem papel cada vez mais importante na construção da experiência de marca. Para a companhia, um dos pilares de negócios está na integração de canais e no trabalho com parceiros para transformar a loja em espaço de memória, interação e vínculo.
“Com essa nova loja, junto ao nosso parceiro, entregamos pioneirismo e inovação com a primeira loja-conceito de Oreo no Brasil. Com essa iniciativa, nossos consumidores estarão imersos no universo da marca”, diz Patrícia.
Em categorias muito competitivas, como a de indulgências, que envolve decisão rápida de compra e influência de preço, disponibilidade e impulso, criar vínculo emocional ajuda a diferenciar o produto.
Mas o vínculo não depende apenas de comunicação publicitária tradicional. Ele pode surgir da experiência física, da participação em uma comunidade cultural, do conteúdo gerado espontaneamente pelos consumidores e da sensação de acesso a algo limitado.
No caso de Oreo BTS, a edição limitada adiciona escassez, novidade e identidade. A flagship amplia essa narrativa ao criar um espaço que convida o consumidor a ver, fotografar, compartilhar e comprar.
Varejo monetiza atenção no espaço físico
Para a Americanas, a ação também reforça a monetização da atenção dentro de seu ecossistema. O retail media permite que o varejista ofereça às marcas acesso a diferentes pontos da jornada, desde o impacto visual da fachada até a conversão no checkout e a amplificação digital em site, app e redes sociais.
Os varejistas passam a competir não apenas por vendas, mas também por orçamento de mídia das indústrias. Quanto mais integrada for a jornada, maior a possibilidade de medir exposição, engajamento e resultado comercial.
A loja física, nesse contexto, deixa de ser apenas custo operacional e passa a compor uma plataforma de comunicação. Fachadas, vitrines e áreas internas se tornam inventário de mídia. O fluxo de consumidores se torna audiência mensurável. A compra passa a ser parte de uma experiência mais ampla de marca.
Para a indústria, a vantagem está em ativar produtos próximos do momento de decisão. Para o varejo, está em ampliar receita, fortalecer parcerias comerciais e usar seus canais como ecossistema de mídia. Para o consumidor, quando bem executada, a experiência pode tornar a visita mais interessante e menos transacional.
Cultura pop acelera a estratégia
A flagship de Oreo BTS mostra como a cultura pop pode acelerar estratégias de varejo e retail media. A força do BTS não está apenas no alcance do grupo, mas na capacidade de mobilizar fãs em torno de símbolos, produtos, narrativas e experiências.
Ao ocupar uma loja física com a identidade da collab, Mondelēz e Americanas transformam o lançamento em evento, ampliando o potencial de tráfego, redes sociais e lembrança de marca, especialmente entre consumidores mais jovens. O resultado é uma ação que conecta três dimensões do varejo contemporâneo: produto, mídia e comunidade. O produto é o Oreo BTS. A mídia é a loja, somada ao site, ao app e às redes sociais.
Em um mercado em que o consumidor é disputado por múltiplos canais e estímulos, transformar a loja em experiência pode ser uma forma de recuperar atenção e gerar diferenciação.
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