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Perspectivas para 2022

Por Ricardo Caldas*

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Depois de um ano incerto em 2021, onde a inflação surgiu e os governantes ficaram no meio termo entre a retomada das atividades econômicas, a prevenção da disseminação da Covid-19 e o apoio aos infectados, 2022 surge no mapa com algumas certezas e algumas dúvidas.

 

A primeira certeza é que a Covid-19 não foi embora. Ao contrário, expandiu-se novamente em um ritmo ainda mais acelerado sob a variante Ômicron, ainda que menos letal, e nada impedirá a expansão da Covid-19 em 2022, nem mesmo a vacinação.

 

Os resultados obtidos pela retomada econômica das atividades em 2021, com o crescimento da economia mundial de 5,5% em 2021, puxada pela China, com 8,0% de crescimento, e dos Estados Unidos, com 5,7%, o maior desde 1984, dificilmente se repetirão em 2022. O Brasil cresceu próximo à média mundial (entre 4,5% e 5,0%) [1], mas as perspectivas segundo os analistas de mercado, não são tão boas para 2022.

 

Com efeito, o mercado brasileiro, representado no Boletim Focus, do Banco Central, espera uma inflação menor para 2022 do que ocorreu em 2021, em torno de 5,15%, contra 10,06% em 2021. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que foi divulgado em 26/01, mostrou uma desaceleração da inflação, com uma taxa de apenas 0,58%, gerando otimismo no que tange ao combate da inflação em 2022.

 

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) esperado para 2022 no Boletim Focus é de 0,29% para todo o ano de 2022, o que é claramente insuficiente para se manter uma rota estável de crescimento. Consola a todos o fato dos analistas financeiros que respondem às pesquisas do Boletim Focus terem errado de forma consistente em suas estimativas de anos anteriores, como em 2021, quando previa um crescimento econômico do PIB de apenas 3,41% para 2021 e o crescimento acabou superando 4,5% [2]. Da mesma forma, a inflação prevista pelo Boletim Focus era de 3,34% para 2021 e esta chegou a 10,06%.

 

Isto nos mostra que a capacidade preditiva, em termos de economia, ainda é muito reduzida, mesmo em se tratando de instituições financeiras que dispõe de todo o arcabouço de capacidade técnica e financeira para realizar prognósticos apurados.

 

Feitas essas ressalvas, faremos as nossas projeções para 2022.

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima o crescimento da economia mundial em 4,2% (contra 5,5% de 2021). O Brasil que esteve próximo do crescimento da economia mundial em 2021 e gerou mais de 2,7 milhões de empregos em 2021, dificilmente repetirá o feito em 2022.

 

Por outro lado, o crescimento econômico também não deve ser tão baixo como o estimado pelo Boletim Focus de 0,29%. O último Boletim Macrofiscal, do Ministério da Economia, (de 11/2021) faz uma projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2022 de cerca de 2,10%. Já o Banco Central do Brasil, influenciado pelo mercado financeiro, reduziu suas expectativas de crescimento para 2022 de 2,1% para 1,0%. Se tirarmos uma média entre as três projeções, chegaremos a uma previsão de crescimento de algo em torno de 1,1% para 2022, algo mais aceitável do que a previsão do Boletim Focus, do Banco Central. Em termos de taxa de juros, a Selic pode chegar a 11,75% na opinião dos analistas de mercado que responderam à pesquisa do Boletim Focus. Nesse ponto, tendo a ser mais pessimista que os analistas financeiros. Penso que a Selic em 2022 pode chegar facilmente a 12% ou mesmo 13% se a inflação não ceder no primeiro semestre de 2022.

 

Mas o ponto de maior divergência não foi nem na inflação nem no crescimento econômico, mas nas exportações. O Ministério da Economia projeta um crescimento de apenas 1,4% das exportações em 2022, quando chegarão a US$ 284,3 bilhões. Cabe lembrar que as exportações em 2021 subiram 34% em relação à 2022. Seria, portanto, surpreendente que elas percam o ritmo de um ano apara outro nessa velocidade.

 

Já em relação às importações, o Ministério da Economia acredita que serão importados US$ 204,9 bilhões em bens do exterior, um declínio de 6,6%.

 

Dessa forma, o Ministério da Economia estima um superávit para 2002 de US$ 79,4 bilhões, 30,1% superior ao de 2021 que foi de US$ 61,0 bilhões em 2021.

 

Já os analistas financeiros pesquisados pelo Boletim Focus estimaram um superávit comercial de US$ 55 bilhões para 2022. Em uma perspectiva moderada, tirando-se novamente a média entre as duas projeções. Chega-se a uma estimativa mediana de US$ 67,2 bilhões, um aumento de 10% em relação ao superávit obtido em 2021.

 

Como se sabe, o ano de 2022, assim como qualquer ano, pode ser analisado pela perspectiva econômica, o que acabamos de fazer, e pela perspectiva política.

 

Na área política, com as informações que dispomos neste momento, pode-se afirmar que as eleições de 2022 ainda não estão decididas, como alguns meios de comunicação e instituto de pesquisa já sugeriram.

 

Aparentemente, a Terceira Via, que insistia em não sair do papel, começa a se delinear. A julgar pelas pesquisas do Instituto Paraná Pesquisas, talvez o instituto que goze de maior prestígio no Brasil atualmente, a candidatura de Moro começa a se consolidar lentamente, em detrimento da candidatura de Ciro Gomes e a de João Dória, por exemplo. Talvez passe por Sergio Moro o tortuoso aminho da tão aguardada Terceira Via.

 

[1] Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o crescimento econômico brasileiro ainda não haviam sido publicados até a publicação deste artigo.

 

[2] Estimativa do Boletim Focus.

 

*Sobre - Ricardo Caldas

Ricardo Caldas, economista e cientista político com PhD em Relações Internacionais, especialista da Fundação da Liberdade Econômica.

 

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