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As franquias estão saindo das capitais para crescer no interior

De acordo o CEO do Cebrac, a região vive um processo consistente de fortalecimento econômico

As franquias estão saindo das capitais para crescer no interior
Kim Paiffer Publicado em 02 de Junho de 2026 às, 15h00. Atualizado em 02 de Junho de 2026 às, 15h00.

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Cidades médias e pequenas passaram a ocupar um espaço cada vez mais estratégico nos planos de expansão das franquias brasileiras. Em 2026, o franchising vive um momento de maior maturidade operacional, no qual crescimento deixou de significar apenas presença nas grandes capitais e passou a envolver eficiência, sustentabilidade financeira e expansão qualificada.

Segundo dados recentes da Associação Brasileira de Franchising, o setor de franquias alcançou faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões em 2025, com mais de 202 mil operações em funcionamento no país. Além disso, as franquias já estão presentes em 69% dos municípios brasileiros, alcançando 3.828 cidades, um avanço significativo em relação aos anos anteriores.

Esse movimento mostra uma transformação importante no comportamento das redes. Mercados tradicionalmente disputados, como São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais, seguem relevantes, mas enfrentam custos operacionais elevados, maior concorrência e margens mais pressionadas. Ao mesmo tempo, cidades médias, polos regionais e regiões ligadas ao agronegócio passaram a reunir fatores extremamente atrativos para expansão.

O interior brasileiro, por sua vez, vive hoje um processo consistente de fortalecimento econômico. Municípios ligados ao agro, logística, indústria e serviços ganharam dinamismo, ampliaram renda local e passaram a demandar mais educação, qualificação profissional e serviços especializados. Esse cenário fez com que muitas redes deixassem de olhar o interior apenas como oportunidade secundária e passassem a tratá-lo como parte central da estratégia de crescimento.

No setor educacional, essa interiorização se torna ainda mais evidente. O avanço da tecnologia, as mudanças no mercado de trabalho e a busca por geração de renda mais rápida ampliaram significativamente a procura por formação profissionalizante fora dos grandes centros urbanos.

Redes como o Cebrac enxergam nas cidades médias um ambiente favorável para expansão justamente pela combinação entre demanda crescente, menor saturação de mercado e proximidade maior com a comunidade local. Na prática, operar fora das capitais permite compreender melhor as necessidades regionais e adaptar a oferta de cursos à realidade econômica de cada praça.

Outro fator importante é a própria mudança no perfil do empreendedor brasileiro. Durante muitos anos, abrir uma franquia esteve associado principalmente à busca por faturamento em mercados de alta densidade populacional. Hoje, além do retorno financeiro, muitos investidores passaram a considerar qualidade de vida, custo operacional e sustentabilidade da operação no longo prazo.

Cidades menores oferecem vantagens competitivas relevantes nesse sentido. Custos de aluguel, folha operacional e despesas fixas tendem a ser mais acessíveis do que nos grandes centros, impactando diretamente a rentabilidade da unidade. Além disso, existe uma relação mais próxima entre empresa, consumidor e comunidade, algo que fortalece retenção, fidelização e reputação da marca localmente.

Outro ponto que impulsiona essa tendência é o fortalecimento da economia regional. Dados recentes da ABF mostram que o crescimento do franchising tem avançado acima da média justamente em estados fora do eixo tradicional Rio-São Paulo, incluindo regiões do Norte, Centro-Oeste e cidades ligadas ao agronegócio.

Esse cenário mostra que a interiorização das franquias deixou de ser apenas uma tendência e passou a representar uma estratégia concreta de expansão sustentável. Mais do que ampliar presença geográfica, as redes buscam hoje crescer de forma mais eficiente, conectada às demandas locais e alinhada às transformações econômicas do país.

Para os próximos anos, a expectativa é que esse movimento continue acelerando, especialmente em segmentos ligados à educação, saúde, serviços e qualificação profissional, áreas diretamente impactadas pelas mudanças no mercado de trabalho e pela descentralização do crescimento econômico brasileiro.

Kim Paiffer é CEO do Cebrac

*O artigo publicado não reflete, necessariamente, a visão o Portal Sua Franquia, sendo, as opiniões expressas, de responsabilidade do autor
Imagem: Canva

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