As principais tendências e novidades do mercado de franquias vistas na missão empresarial da Associação Brasileira de Franchising (ABF) na Convenção Anual da International Franchise Association 2026 (IFA) foram apresentadas no tradicional evento Pós-IFA da entidade. A conferência foi realizada na tarde desta quarta-feira, 4, no Inovabra, em São Paulo, de forma híbrida, e contou com palestras dos curadores da missão, que viajaram para a 66ª edição do maior evento de franquias do mundo, em Las Vegas, nos Estados Unidos, no final de fevereiro.
Em uma apresentação institucional e de contextualização geral, Decio Pecin, vice-presidente da ABF associação, destacou que o franchising global vive um “momento de evolução marcado por disciplina na gestão, avanço tecnológico e fortalecimento do papel das redes na economia”.
Para ele, alguns pilares ajudam a sintetizar as reflexões da conferência:
- Franquia lucrativa é o centro de tudo, o franqueado é o motor
- Incerteza não é desculpa, é diferencial competitivo
- A IA não é tendência, é infraestrutura
- Gente certa acelera tudo
- Franchising é força econômica, social e política
- Cada evento é único para cada um
Boas práticas e aprendizados
Em relação às boas práticas, Fábio Roth, charmain do Grupo Froth, destacou a importância de “decisões baseadas em dados, disciplina de execução e alinhamento cultural entre franqueadora e franqueados”.
“Quando conseguimos colocar as pessoas certas nos lugares certos, todo o sistema passa a funcionar melhor. Levar a cultura da franqueadora para dentro das lojas não é simples, mas, quando a rede tem clareza sobre quem são as pessoas que quer atrair e desenvolver, fica mais fácil decidir quem entra na ponta e garantir alinhamento ao modelo de negócio”, afirmou André Augusto, do Grupo Hypper Brands, que dividiu o palco com Roth no pós-IFA.
Tecnologia estratégica
A inteligência artificial (IA) esteve no centro das discussões da IFA 2026 e reforçou seu papel cada vez mais estratégico na gestão das redes de franquias nos Estados Unidos.
Para Felipe Koga, diretor de Estratégia & Digital do Grupo Bittencourt, as empresas começam a atravessar uma fase de maior maturidade no uso da tecnologia. “É o momento de estruturar sua aplicação e avaliar o retorno sobre investimento. As empresas vão parar de brincar com a IA e criar áreas com especialistas capazes de decidir o que gera resultado, o que precisa evoluir e o que deve ser descartado”, afirmou.
Em contrapartida, Henrique Nóbrega, diretor de Tecnologia do CNA, ressaltou que o processo de adoção da tecnologia ainda envolve aprendizado e cautela. “Ainda estamos em uma fase de estruturação. Sem organização de dados e governança adequada, a IA pode acabar automatizando erros ou desinformação. Vimos casos de anúncios gerados por IA que divulgaram datas incorretas de volta às aulas. Por isso, antes de escalar a tecnologia, é preciso fazer a lição de casa”, explicou.
Imagem: Divulgação/ABF - Crédito: Dynamic Audiovisual