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A reforma da Dicico: varejista vai abrir rede de franquias

A reforma da Dicico: varejista vai abrir rede de franquias

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No cartão de apresentação, o empresário Dimitrios Markakis, filho de um imigrante grego, vai manter o cargo de vendedor. Não terá, como de costume, uma secretária própria ou uma sala individual. Vestirá ainda a jaqueta amarela comum a todos os funcionários da Dicico, a maior varejista de materiais de construção em número de lojas e a quarta em faturamento do Brasil – R$ 840 milhões em 2011. Mas Markakis, que comprou a empresa logo depois de negociar a sua rede de supermercados Cândia com o grupo português Sonae, em 1999, está deixando o dia a dia dos negócios da Dicico. Todas as tarefas relacionadas a compras, vendas, marketing, relacionamento com os clientes e recursos humanos serão agora de responsabilidade do português Jorge Letra, copresidente da Dicico desde 2009. “Sou quase um desempregado”, brinca Markakis, hoje com 47 anos de idade.

Na verdade, não se trata de uma aposentadoria. Ao deixar a gestão, ele passa a ter uma nova tarefa. “Vou cuidar da criação da infraestrutura para o nosso crescimento nos próximos anos”, diz. Na prática, isso significa que o empresário tem se dedicado a abrir a sua agenda de contatos, fazer telefonemas e bater perna para tornar realidade uma grande reforma do perfil de sua rede de lojas. Uma das mudanças principais será a chegada da Dicico a novos mercados. Atualmente, suas 55 lojas estão localizadas no Estado de São Paulo. Mas há negociações para comprar participações de redes presentes em outros Estados, em especial no Sudeste. “Não queremos o controle”, afirma Markakis. “Só aceitamos ficar com 50%, para garantirmos que o sócio vai se manter interessado na operação e que irá nos ajudar com as peculiaridades da sua região.”
 
Ao mesmo tempo, a Dicico avança com o plano de desenvolver uma rede de franquias. Hoje, ela já tem duas abertas, em Vinhedo e Piracicaba, no interior de São Paulo. A meta é abrir mais dez este ano. Até 2015, serão 100 unidades. As três maiores do ramo de material de construção, a Leroy Merlin, a C&C e a Telhanorte, atuam somente com lojas próprias. O método de atração de franqueados é bem diferente do conhecido em outras áreas de atividade. Nas redes de alimentação, por exemplo, uma franquia é erguida do chão, nos moldes estabelecidos pela rede. O modelo Dicico, porém, pretende converter para a sua marca lojas já existentes de materiais de construção. Markakis acredita que em até 30 dias é possível adaptar uma loja aos padrões e ao visual da Dicico.
 
Como 80% das 138 mil lojas do varejo de construção espalhadas pelo Brasil são independentes de qualquer rede, as oportunidades são enormes. O setor faturou R$ 69,4 bilhões em 2011, segundo a consultoria de varejo GS&MD. “O franqueado vai usufruir do nosso poder de compra, dos nossos estoques e do suporte de marketing”, diz Letra, que agora responderá sozinho pela operação da Dicico. “Vamos ganhar royalties e vender os produtos armazenados em nosso centro de distribuição.” A exemplo de Markakis, Letra também tem sua própria reforma para concluir. Trata-se do aumento da rentabilidade da Dicico. No ano passado, o lucro operacional dobrou, chegando a R$ 50 milhões. O resultado foi conseguido graças a um reposicionamento da empresa. “Estamos migrando da atuação junto aos consumidores de baixíssima renda para a atual classe média baixa”, diz Letra.
 
Essa diferença parece sutil, mas permitiu a comercialização de produtos com margem de lucro 30% maior, incluindo itens importados e mais peças de metais e louças. Com tantas iniciativas, a Dicico voltou a ter sonhos ambiciosos. Em fevereiro de 2008, a empresa viu ruírem seus planos de chegar, em três anos, a R$ 1 bilhão de faturamento. Uma enchente colocou o seu centro de distribuição sob 2,5 metros de água. “Foi uma tragédia, perdemos todo o estoque”, afirma Markakis. Aliado à crise econômica mundial, o acontecimento levou a dois anos de prejuízos e a um crescimento aquém do esperado. Apenas no ano passado a Dicico conseguiu ultrapassar o lucro alcançado em 2007. “Esperamos um 2012 muito bom”, diz Markakis, que projeta um faturamento de R$ 900 milhões até dezembro. É esperar para ver se a reforma será completa.

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