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A interiorização dos shoppings centers

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Nos próximos dois anos, atingiremos um número recorde de shoppings centers no Brasil. Seremos uma nação com 500 centros comerciais de grande porte! Estes imensos templos de consumo da classe média acabam de chegar às cidades até 100 mil habitantes, dando acesso à sociedade local de produtos e marcas até então acessíveis apenas aos moradores das grandes cidades. Ainda não chegamos ao padrão americano, onde é viável a construção de um shopping em cidades com populações de até 30 mil habitantes. Para entender melhor, hoje existem mais de 10 mil shoppings em território americano, que cumprem o papel de estender para toda a sociedade hábitos de consumo muito semelhantes.  Graças aos shoppings, os americanos hoje vestem praticamente as mesmas roupas, comem os mesmos sanduíches, calçam os mesmos sapatos e assistem simultaneamente aos mesmos filmes nos cinemas! A configuração e o mix de lojas destes empreendimentos são muito semelhantes, dando muitas vezes a sensação de déjà vu para quem os frequenta. Algo semelhante está em formação no Brasil.

O número mágico dos 500 shoppings em nosso país traduz a boa fase e a maturidade do varejo nacional e, sobretudo, oferece ao cidadão do interior acesso a produtos, marcas e serviços inéditos, inserindo-os como um cidadão do mundo. Vivemos hoje a ditadura das marcas (no bom sentido, claro!), as pessoas querem participar do processo de globalização e possuem cada vez mais acesso a informação.  Dos cerca de 100 shoppings em construção no país, cerca de 35 estão localizados em cidades que receberão seu primeiro empreendimento. Cidades como Botucatu em São Paulo, Sinop no Mato Grosso, Lages em Santa Catarina, Linhares no Espírito Santo, são alguns exemplos. Outro fenômeno nesta área é que em muitas cidades estão sendo anunciadas a construção de um segundo empreendimento, na maioria das vezes com um projeto muito superior e sofisticado aos já existentes, empreendimentos estes que nasceram a cerca de 15, 20 anos atrás, em um outro momento do mercado, e que já se encontram defasados e envelhecidos por falta de investimentos em modernização e por serem administrados de forma amadora,  com um pensamento local, tornando-os pouco atrativos para os consumidores.

Para o varejista que expande nestes novos centros de compras, esta é uma chance única de participar destas novas fronteiras, com sociedades ávidas por novidades, uma demanda reprimida e em fase de formação de clientela; além dos hábitos de consumo viabilizando a sua expansão e podendo gerar um aumento de vendas. Cenário muito diferente do encontrado nas capitais e nas grandes cidades, onde os custos de ocupação estão muito elevados e a concorrência muito acirrada. Claro que também não são só flores. Alguns empreendimentos lançados recentemente em cidades do interior tem sentido o enorme impacto que eles representam para a sociedade local quando abrem as suas portas. Num primeiro momento, existe o fenômeno que é um misto de desconfiança, estranhamento dos consumidores e conflito com os varejistas tradicionais da cidade. O consumidor tem a sensação de que os produtos são mais caros e resistem em alterar seus hábitos. Mas com o tempo, os mitos caem e os resultados tendem a acontecer. Demandam, portanto, uma certa paciência até que estes shoppings “peguem” e as vendas aconteçam. Mas este é o preço que se paga pelo pioneirismo e pela conquista de novos mercados, da qual apenas um país como o nosso, que está crescendo muito e que possui dimensões continentais, ainda proporciona aos varejistas. Está aberta a porteira!

Marcos Hirai ([email protected]) é sócio-diretor da BG&H Real Estate

 

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