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A confiança deixou de estar apenas no ponto físico

Com a digitalização, a relação com as marcas deixou de depender exclusivamente de um endereço comercial

A confiança deixou de estar apenas no ponto físico
Paulo Manuel Publicado em 10 de Junho de 2026 às, 08h00. Atualizado em 10 de Junho de 2026 às, 08h00.

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Durante muito tempo, a presença física foi tratada como um dos principais símbolos de confiança no varejo e nos serviços. No turismo, isso foi ainda mais evidente. Comprar uma viagem sempre envolveu expectativa, investimento financeiro, planejamento familiar e, muitas vezes, o receio de algo dar errado. Por isso, para muitos consumidores, entrar em uma agência, sentar diante de um consultor e sair com um pacote fechado representava segurança.

Mas o mercado mudou. O consumidor se digitalizou, os canais de atendimento se multiplicaram e a relação com as marcas deixou de depender exclusivamente de um endereço comercial. Isso não significa que a confiança tenha perdido importância. Pelo contrário. Significa que ela passou a ser construída de outras formas.

No franchising, essa mudança é especialmente relevante. Uma rede que opera com modelos mais flexíveis, como o home office, não pode depender apenas da estrutura física para transmitir segurança. Ela precisa de marca forte, processos claros, suporte ao franqueado, comunicação constante, transparência, tecnologia e, principalmente, consistência na entrega.

Essa é uma discussão importante porque ainda existe uma leitura superficial sobre modelos de franquia menos dependentes de ponto comercial. Em muitos casos, eles são vistos apenas como formatos mais acessíveis ou com menor custo operacional. Isso é verdade em parte, mas não explica o principal. Uma operação home office só se sustenta em larga escala quando existe uma franqueadora ativa por trás.

No turismo, esse ponto é ainda mais sensível. O cliente pode não entrar em uma loja física, mas ele precisa saber com quem está comprando, qual marca sustenta aquela venda, que tipo de suporte existe, como será acompanhado e quem estará disponível caso algo mude antes ou durante a viagem. Viagem não é uma compra puramente transacional. É uma decisão que envolve confiança.

Por isso, o papel da franqueadora se torna ainda mais estratégico. Não basta entregar uma marca e esperar que o franqueado opere sozinho. É preciso criar ambiente, método, orientação comercial, comunicação, treinamento, acompanhamento e ferramentas que ajudem cada unidade a vender melhor e atender com mais qualidade.

Quando uma rede consegue crescer com forte presença de agências home office, isso não acontece apenas porque o consumidor passou a aceitar o digital. Acontece porque existe uma estrutura capaz de transformar esse modelo em uma operação confiável. Sem gestão, o formato fragiliza. Com gestão, ele ganha escala.

Na TZ Viagens, essa visão foi decisiva para a evolução da rede. Desde junho de 2020, quando contava com 42 unidades, a empresa chegou a 307 operações, crescimento de aproximadamente 631%. Hoje, quase 90% da base atua no modelo home office. Esse dado não deve ser lido apenas como uma escolha de formato, mas como reflexo de uma mudança mais profunda na forma de empreender em turismo.

A agência física continua tendo relevância e seguirá existindo. Mas ela deixou de ser o único caminho para gerar credibilidade. Em muitos casos, o que sustenta a venda é a combinação entre marca, consultoria, presença digital, relacionamento e suporte da rede. O consumidor quer praticidade, mas também quer segurança. Quer autonomia para pesquisar, mas ainda valoriza alguém que organize informações, antecipe riscos e acompanhe sua jornada.

Esse é o ponto central. O digital não eliminou a necessidade de consultoria. Ele aumentou essa necessidade. Quanto mais informação disponível, mais difícil se torna separar o que é relevante, confiável e adequado para cada perfil de viajante.

Nesse cenário, o consultor de viagens deixa de ser apenas alguém que vende pacotes e passa a atuar como curador, orientador e ponto de segurança para o cliente.

Em franquias a lição é clara: formatos flexíveis exigem estruturas mais fortes, não mais frágeis. Uma rede home office não pode ser confundida com uma operação solta. Pelo contrário. Quanto menos dependente ela é do ponto físico, mais precisa investir em marca, padronização, tecnologia, comunicação e relacionamento.

O futuro das franquias não será definido apenas pelo formato da unidade, mas pela capacidade da franqueadora de gerar confiança em qualquer ambiente de atendimento. Loja física, atendimento remoto, redes sociais, WhatsApp, vídeo, plataforma digital ou reunião presencial: todos esses canais só funcionam quando há uma operação consistente por trás.

No fim, a pergunta principal não é se uma franquia precisa ou não de ponto físico. A pergunta é se ela tem estrutura suficiente para entregar valor, segurança e resultado independentemente do formato. No turismo, especialmente, essa resposta passa por uma palavra que nunca deixou de importar: confiança.

Paulo Manuel* é fundador e CEO da TZ Viagens
Imagem: Canva

*O artigo publicado não reflete, necessariamente, a visão o Portal Sua Franquia, sendo de expressa responsabilidade do autor.

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