Quando falamos em crescimento sustentável, muitas organizações ainda concentram seus esforços apenas em números, metas e expansão. No entanto, a prática mostra que empresas que crescem sem cuidar da cultura acabam enfrentando ruídos internos, desalinhamento de equipes e, principalmente, perda de identidade ao longo do caminho. Uma cultura forte não nasce de discursos prontos ou manuais corporativos. Ela começa, se sustenta e se multiplica a partir da liderança.
Preservar a cultura da empresa passa, necessariamente, pela forma como contratamos pessoas. Mais do que avaliar competências técnicas, é fundamental observar comportamentos, valores e atitudes. Habilidades podem ser desenvolvidas com treinamentos, mas alinhamento cultural exige consciência, intenção e escolha. Quando uma pessoa entra em uma organização sem compartilhar da sua essência, o impacto vai além do desempenho individual e alcança o clima interno, a comunicação e a forma como a marca se posiciona no mercado.
A cultura funciona como um guia silencioso que orienta decisões, comportamentos e prioridades. Ela define como as pessoas se relacionam, como enfrentam desafios e como representam a empresa no dia a dia. Por isso, manter a cultura viva não é apenas uma questão institucional, mas uma estratégia clara de gestão e crescimento. Empresas com identidade bem definida conseguem escalar com mais consistência, pois sabem quem são, onde querem chegar e quais comportamentos não estão dispostas a abrir mão ao longo do percurso.
Cultura é identidade, é aquilo que permanece mesmo quando os cenários mudam. Esse entendimento ganhou ainda mais força durante a convenção que realizamos com nossa rede, em novembro de 2025, quando foi apresentada aos franqueados a experiência Código Horse, um projeto que simboliza, na prática, o alinhamento entre liderança, comportamento e identidade organizacional. Mais do que um conceito, o Código Horse representa uma vivência que conecta líderes aos valores essenciais da rede por meio da experiência.
A experiência ofereceu imersões em inteligência emocional, liderança e comunicação, utilizando o comportamento e a interação com cavalos como ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento de equipes. A proposta parte da premissa de que os cavalos respondem de forma imediata à coerência entre intenção, emoção e atitude, tornando visíveis padrões de liderança, comunicação e tomada de decisão. Essa vivência reforça, de maneira profunda, a importância da presença, da clareza e da responsabilidade emocional na condução de pessoas e negócios.
Outro pilar essencial para fortalecer a cultura organizacional é o investimento contínuo em palestras, treinamentos e encontros com gestores e franqueados. Esses momentos são fundamentais para reforçar valores, alinhar expectativas e garantir que a identidade da empresa seja compreendida e vivida em todas as pontas da rede. Desenvolver líderes não significa apenas aprimorar competências técnicas, mas ampliar consciência, fortalecer comportamentos e promover coerência entre discurso e prática.
Dentro dessa visão, acredito profundamente no desenvolvimento humano como base da liderança. A liderança tem um papel decisivo na preservação da cultura, e os líderes dão o tom no dia a dia. Suas atitudes comunicam mais do que qualquer discurso. Quando a liderança age de forma coerente com os valores da empresa, ela legitima a cultura e inspira as equipes a fazerem o mesmo. Quando isso não acontece, o discurso perde força e a identidade se fragiliza.
Manter a cultura viva exige constância, diálogo e intencionalidade. Exige coragem para dizer não a contratações desalinhadas, mesmo diante da pressão por resultados imediatos. Exige tempo dedicado à escuta, à formação e ao alinhamento contínuo. Mas, acima de tudo, exige clareza sobre quem somos e sobre o tipo de organização que queremos construir.
Cultura forte não limita o crescimento. Pelo contrário, ela sustenta a expansão com coerência, engajamento e reputação. Quando pessoas, propósito e resultados caminham juntos, a empresa cresce sem perder sua essência. E essa é, sem dúvida, uma das maiores responsabilidades da liderança.
Carol Paiffer* é sócia da Atom S/A e do Cebrac
*O artigo publicado não reflete, necessariamente, a visão o Portal Sua Franquia, sendo, as opiniões expressas, de responsabilidade da autora
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