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Colcci: da classe C a ícone da moda.

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SÃO PAULO, 13 de novembro de 2006 - Até seis anos atrás, a Colcci era uma pequena rede de lojas de camisetas popular sem estilo nem glamour, e com futuro ameaçado diante da competição chinesa. Sob nova direção e com a ajuda de algumas celebridades - entre as quais, nos últimos dois anos, contou com Gisele Bündchen como garota-propaganda, saiu do negativo e transformou-se em uma das grifes mais badaladas do País, com faturamento de R$ 150 milhões.

Com 110 lojas espalhadas por todo o País no modelo de franquia, além de outros 1,2 mil pontos de venda multimarcas, a Colcci está preparando o terreno para uma agressiva expansão no mercado internacional - que absorve hoje de 20% a 25% da sua produção. 'A marca está consolidada no Brasil e chegamos quase no limite de expansão', explica Alexandre Menegotti, diretor do Grupo AMC Têxtil, que adquiriu a Colcci em 2000. A empresa está desenvolvendo um modelo de franquia para sua expansão na Europa e no Estados Unidos e prevê que, em dez anos, o faturamento no exterior será maior do que no Brasil. 'Estamos investindo R$ 15 milhões no plano de expansão para a Europa e devemos gastar de R$ 12 milhões a R$ 15 milhões com os Estados Unidos', explica Menegotti.

As primeiras cinco lojas franqueadas na Europa serão inauguradas no ano que vem, começando pela Espanha, onde fica o centro de distribuição da marca no continente europeu. A grife já possui duas lojas monomarca com parceiros na Espanha, que servem como vitrine para o projeto de expansão. Além disso, as roupas da marca podem ser encontradas em mil outros pontos multimarcas espalhados pela Europa. Cada franquia irá custar 500 mil ao investidor europeu e a meta é ter de 20 a 30 lojas até 2010. No Brasil, uma franquia custa mais barato, fica em torno de R$ 500 mil. Nos Estados Unidos, onde a marca é menos presente, a empresa está concluindo inicialmente a montagem de um showroom, em Los Angeles. As metas ainda não estão consolidadas, mas a empresa calcula que em 2008 estará inaugurando as primeiras franquias americanas.

O sucesso internacional da Colcci se deu ao mesmo tempo em que a grife estourou no Brasil e é resultado de uma estratégia de marketing que tem nas modelos-celebridades seu principal pilar. Antes de Gisele - que há dois anos desfila para a grife, sob um contrato estimado em R$ 2 milhões e na expectativa de renovação - a Colcci atraiu os flashes da imprensa de moda levando para as passarelas beldades como Paris Hilton e Liz Jagger. Mas quando Paris Hilton, bisneta do fundador da rede de hotéis Hilton, aceitou participar do desfile da Colcci em janeiro de 2004, no Fashion Rio, a Colcci não era nem sombra do que é hoje.

Disposta a ser percebida como uma grife de moda de luxo, enterrando de vez o passado de camisetas para classe C, a Colcci saiu em busca de um nome de impacto internacional. 'Com a ajuda de um agente em Los Angeles, chegamos na Paris Hilton.' Assim como a Colcci, na época Paris era uma 'wanabe' (want to be, 'que quer ser', em inglês - espécie de aspirante a celebridade). A estratégia celebridades-na-passarela (e atores globais na platéia) foi um arraso. No desfile seguinte foi a vez da filha do Stones Mick Jagger. Estava aberto o caminho para atrair a top Gisele.

Além do crescimento internacional, a Colcci enfrenta, no Brasil, o desafio de aumentar o faturamento por loja. O público-alvo já foi ampliado: passou de 15 a 25 anos, para até 35 anos, atraindo jovens profissionais de maior poder aquisitivo. Além disso, a empresa está diversificando a linha de produtos, incluindo mais sapatos e acessórios, de maior valor. Em seis anos, o valor médio das peças cresceu 250%. 'A marca nos dirigiu para a sofisticação do produto', diz Menegotti. Hoje a Colcci conta com sete estilistas, dois de sapatos e oito designers gráficos que trabalham sob a direção de Lila Colzani, estilista fundadora da Colcci. E com toda essa expansão, Brusque, sede original da Colcci, ficou pequena.

No segundo semestre de 2007, a equipe se muda para uma nova fábrica, na vizinha Itajaí, um investimento de R$ 18 milhões. Com 36 mil metros quadrados, a nova fábrica será três vezes maior do que a atual. Mais do que dar conta da produção de quatro milhões de peças (três mil itens) da Colcci, a fábrica abriga a produção das outras marcas do grupo AMC Têxtil: Sommer, Carmelistas, CocaCola Clothing Line e Malhas Menegotti. A Colcci é, de longe, a mais rentável e representa 30% das vendas do grupo AMC Têxtil, que, segundo estimativas do mercado, fatura algo como R$ 400 milhões a R$ 500 milhões. (O Estado de S. Paulo).

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