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Artigo: Juros altos é um remédio ou veneno?

Em artigo, Roberto Folgueral Vice-presidente-FCDL-SP, pondera sobre a taxa selic. Confira

Artigo: Juros altos é um remédio ou veneno?

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O Brasil apresenta boas perspectivas no campo econômico, com desemprego em queda e com desaceleração da inflação. Em compensação, esse resultado positivo não encontra contrapartida no setor industrial. Poderíamos elencar inúmeros motivos com diversos debates sobre a validade dos altos juros no país, fixados em 13,75%, mas se considerarmos os sinais dados pelos setores, como queda de produtividade e dificuldade de concessão de crédito, os argumentos de validação da alta Selic caem por terra.

Esse balizamento funciona como um verdadeiro freio de mão em nosso desenvolvimento industrial, na geração de emprego e renda, além do agravamento de nossas contas públicas. Entendemos a necessidade do controle da inflação, porém, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, desde agosto de 2022, parece um certo exagero.

Contextualizando em números:
•    IPCA de agosto de 2022 = 8,73% acumulado nos últimos 12 meses, com uma taxa Selic de 13,75% ao ano, o que representa um sobre valor de 64%.
•    IPCA de junho de 2023 = 3,16% acumulado nos últimos 12 meses, com uma taxa Selic de 13,75% ao ano, representando um sobre valor de 335%.

Desnecessário dizer que a manutenção da taxa Selic em patamares tão elevados dificulta a organização financeira do Estado, em razão da excessiva pressão sobre a dívida pública. A justificativa apresentada para a manutenção de taxas tão elevadas de juros é o controle da inflação, pois com o desaquecimento da economia e aumento do desemprego e redução da renda, a inflação cai. Assim, seria simples de explicar que o remédio, inicialmente eficaz, demonstra ser ineficiente ao longo do tempo, em razão dos grandes malefícios de seus efeitos colaterais nefastos.

Considerando uma forma simples de apresentação, os juros reais no Brasil estão na ordem de 335%, um dos maiores do mundo, caso não seja o maior. Paradoxalmente, os juros altos afetam tanto aqueles que necessitam tomar dinheiro emprestado para manter suas atividades ou consumo em geral.

Já os investidores verificam nos juros altos uma oportunidade de investir sem risco. Pronto, está concluído o binômio negativo: Consumo cai e o investidor deixa de aplicar seus recursos excedentes na produção, resultando na desaceleração da economia, cada vez mais. Não podemos deixar de considerar o endividamento das famílias, cada vez maior, e a consequente redução da poupança popular.

A manutenção da taxa Selic em patamares tão elevados pode até ajudar a reduzir a inflação, como de fato o fez, mas seu custo social é extremamente elevado, pois seu impacto é negativo para as pessoas, às famílias, empresas e até ao governo.

A manutenção da taxa Selic nesses níveis, impede que empresas iniciem ou invistam em projetos novos que gerem empregos, afetando, assim, o crescimento econômico ou, atraindo investidores estrangeiros que buscam rendimentos com baixo risco em países com o nosso perfil. Decididamente um remédio extremamente amargo, com efeitos colaterais letais.

Por Roberto Folgueral, Contador e Perito Judicial e Vice-presidente-FCDL-SP
 
*Por Roberto Folgueral, Contador e Perito Judicial e Vice-presidente-FCDL-SP. O especialista assina em conjunto a  Maurício Stainoff, presidente da FCDL-SP, a coluna "De olho no Varejo". 

 

 

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