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Wal-Mart quer implantar modelo de negociação

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São Paulo, 16 de Janeiro de 2007 - Expectativa é obter economia de até 20% no gasto com a expansão física da rede varejista. O grupo Wal-Mart quer implantar no Brasil seu modelo de negociação internacional, substituindo as conversas pontuais com fornecedores por um planejamento anual que já considera o quadro total de expansão da empresa. Com esse intuito, o grupo promove hoje sua primeira reunião com agentes relacionados ao crescimento da companhia, que vão de construtoras e empresas de equipamentos de refrigeração a fornecedores de estruturas metálicas e franquias que ocupam o espaço comum no térreo de suas unidades. O momento não poderia ser mais favorável: este será o ano recorde de investimentos do grupo no Brasil, com aplicação de R$ 850 milhões em 28 novas lojas, além de reformas em outros 70 pontos-de-venda.

No ano passado, a empresa investiu R$ 600 milhões para abrir 14 lojas no País. ""A reunião é parte do desafio do grupo de entregar 28 novas lojas, compartilhando com esses fornecedores nossas metas e a localização geográfica de cada unidade, para trazer mais transparência ao processo de negociação de expansão"", conta Ciro Schmeil, vice-presidente de expansão do Wal-Mart. A reunião aborda a expansão de todas as bandeiras do grupo, especialmente Wal-Mart, a atacadista Sam’s Club e a marca popular TodoDia. ""Vamos mudar nossa metodologia de negociação, que incluía cotações para uma única loja e agora focará o plano total de expansão."" O principal objetivo, segundo o executivo, é ganhar produtividade entre a demanda e planejamento, o que se traduz em redução de custos. A meta é baixar entre 10% e 20% os gastos com o crescimento orgânico. Para se ter uma idéia, o valor de investimento para uma nova unidade Wal-Mart varia entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, dependendo do endereço.

Como já possui todos os 28 terrenos em que irá instalar seus novos pontos-de-venda, a maior barganha este ano deve ficar entre a companhia e as construtoras, já que os custos das obras representam a maior porcentagem de investimento. ""Como é a parte pesada do orçamento, exige maior negociação. A melhor forma de fazer isso será fechar contratos não por unidade, mas por pacotes de lojas"", explica Schmeil.Os gastos com a parte civil chegam a representar até 50% do custo da loja, mas se a varejista fecha contrato para três unidades ao invés de uma só pode conseguir uma margem de economia entre 5% e 10%, já que garante a demanda. ""Nos últimos anos o custo de nossas construções vem acompanhando a variação do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) e o objetivo é que fique abaixo disso"", detalha Schmeil. Entre as 50 construtoras prestadoras de serviço estão Método, no Sudeste, e Queiroz Galvão, no Nordeste. ""O que pode ajudar numa negociação é um contrato que inclua a entrega total da loja"", aponta Luiz Antônio Maria, diretor da unidade de negócio Comércio da Método, que atende o setor varejista.

Ao contrário do que fazem bandeiras como Extra, do grupo Pão de Açúcar, os contratos do Wal-Mart dividem a construção da loja entre diferentes segmentos - enquanto um fornecedor fica com a construção civil e o sistema de ar-condicionado, outro fica com as instalações e um terceiro com pré-moldados.

Os contratos com fornecedores não estão limitados à sua região de origem - há fornecedor de esquadrias do Rio Grande do Sul que também atende os contrato em São Luiz do Maranhão, por exemplo. Ao contrário: a rede quer dar atenção especial a parceiros, no caso das franquias, que possam crescer junto com a rede, caso de O Boticário. ""Essas empresas podem nos dar garantia de ocupação no mesmo ritmo de nossa expansão"", destaca Schmeil. kicker: Empresas disputam orçamento de R$ 850 milhões, que será investido na abertura de 28 unidades e reforma de 70 pontos (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Maria Luíza Filgueiras).

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