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Franquias iniciam temporada de fusões

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Com um mercado próximo a R$ 45 bilhões, faturamento previsto pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) para 2007, o setor de franquias inicia nova etapa de seu bem-sucedido processo de consolidação. ""Este será um ano de avanço no processo de fusões e aquisições no segmento de franquias,"" afirma Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto. Por trás desse movimento está a busca por ganho de escala. ""Em geral, após a fusão, as marcas de cada empresa continuam operando separadas, mas posicionadas de forma diferente.""

Em 2006, passaram por esse processo as redes de escolas de línguas Wizard, que adquiriu a CCI, e a rede de escolas profissionalizantes Microlins, que se associou ao Instituto Embelleze, voltado para formação profissional na área da beleza, e à Number One Idiomas. Segundo Cherto, o momento é de consolidação. ""Isso acontece em mercados mais desenvolvidos, o que mostra que o franchising brasileiro está em um estágio avançado"", completa.

Sucesso na Bovespa Outro movimento que deve se intensificar nos próximos anos, segundo Cherto, é a abertura de capital de franqueadoras. ""É difícil dizer em quanto tempo, mas vai acontecer"", afirma. O processo poderá ganhar força com as fusões, que, de acordo com o consultor, vão permitir a criação de empresas melhor estruturadas para a abertura de capital. A Localiza Rent a Car é a pioneira - e única até o momento - nesse setor. Abriu capital em abril de 2006 e acumulou alta, até o dia 28 de dezembro, de 57,69%, bem mais que os 11,81% do índice Ibovespa.

No final do ano, a empresa comunicou a distribuição a seus acionistas de R$9,15 milhões, ou R$ 0,136141 por ação, a título de juros sobre o capital próprio. Supremacia brasileira O modelo de negócios originário dos Estados Unidos encontrou terreno fértil no Brasil. ""O brasileiro aprendeu e fez melhor"", diz Cherto. Tanto que hoje o País possui um dos maiores índices de nacionalização de franquias: 90% das redes aqui instaladas são brasileiras.

O dado mais recente da ABF indica um total de 971 franquias em 2005, 19% acima de 2004. Em 2006, foi ultrapassada a marca de mil empresas franqueadoras, segundo previsão da ABF. Na opinião do diretor da Global Franchise, Wagner Lopes de Almeida, a dimensão continental é uma das razões pelas quais o formato de franquia se desenvolve bem no País. ""Administrar uma filial à distância, conhecer bem as características de cada região, os gostos do consumidor, é muito mais difícil se o modelo for de filiais e não de franquias"", afirma. Depois do período inicial, há cerca de 20 anos, marcado por forte entrada de franquias estrangeiras, houve redução no ingresso de marcas internacionais. Para o diretor-executivo da ABF, Ricardo Camargo, fatores como o baixo índice de crescimento da economia têm inibido a entrada de novas marcas no País. ""E as que vêm, não vêm como antes, e sim apoiadas por investimentos do empresariado brasileiro."" Como a rede de cafeterias Starbucks, que chegou ao Brasil em dezembro por meio de uma joint venture com a Café Sereias do Brasil, comandada pelo casal Peter e Maria Luisa Rondebeck, que detém 59% de participação. Outras têm interesse no País, de acordo com Cherto. ""Não será uma inundação"", previne.

As experiências mal-sucedidas de franquias internacionais no Brasil podem ser, na opinião do consultor, outro fator inibidor. ""O que é positivo porque ou elas vêm sabendo que é preciso se adaptar ao mercado nacional, ou é melhor não vir."" Na opinião de Almeida, a ""esfriada"" ocorreu por conta do próprio desenvolvimento do País. ""A época da entrada do McDonald's, em que hambúrguer era novidade, não existe mais. O país precisava muito de tudo um pouco."" Em sua opinião, o Brasil está mais seleto e só tem espaço para conceitos diferentes. 

Na outra via, a expansão de marcas brasileiras no mercado internacional tem ganhado força. Cerca de 35 redes já instalaram unidades fora do País. Outras cinco ou dez devem entrar nessa lista este ano segundo a ABF. ""O mais importante é que as que estão fora do País estão abrindo novas unidades"", diz Camargo. Como a rede brasileira de culinária italiana Spoleto, que entrou na Europa no ano passado. A perspectiva é abrir pelo menos 50 lojas em cinco anos na Espanha e Portugal. Apoio à internacionalização Iniciativa privada e pública têm incentivado esse movimento.

Em dezembro, a ABF e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) renovaram o contrato de incentivo à internacionalização de franquias brasileiras para o biênio 2007-2008. O acordo prevê investimento de R$ 3,3 milhões, orçamento quase duas vezes maior que no biênio anterior. A Apex responderá por R$ 1,6 milhão e o restante será investido pela ABF e pelas redes de franquia participantes do projeto. Essas ações devem impulsionar ainda mais o faturamento do setor, que já exibiu um vigoroso crescimento entre 12% e 13% em 2006, chegando a R$ 40 bilhões. ""Parte da alta está relacionada à expansão do número de unidades. Além disso, como é um negócio melhor estruturado, o resultado das vendas é um pouco acima da média"", explica Camargo. (Valéria Serpa Leite - Gazeta Mercantil).

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