As empresas asiáticas são conhecidas pela expansão agressiva de modelos de negócio enxutos, preços democráticos e forte conexão com as gerações Z e Alpha. Com a Ai-Cha não é diferente. A rede indonésia de chás e sorvetes abriu a primeira e única unidade proprietária no bairro da Liberdade, em São Paulo, no último dia 20 de fevereiro. O início da operação marca também a execução do plano de expansão estruturado para alcançar 150 unidades entre a capital e o interior paulista ainda este ano.
A convite da assessoria de imprensa da Ai-Cha, a plataforma Sua Franquia foi até a unidade para conhecer o negócio e conversar com os porta-vozes brasileiros, Matheus Diniz, head de Marketing e Comunicação, e Danilo Giannini Soares, head de Expansão da rede.
Praticamente ao lado da estação Japão-Liberdade do Metrô, a loja da Ai-Cha ocupa um prédio de 80 m², com térreo, mezanino e mais quatro andares, onde funcionará o escritório da marca. A unidade é uma vitrine para investidores que desejam conhecer os produtos e saber como a operação funciona. Segundo Diniz, o formato flaghisp, por enquanto, está restrito à unidade própria.
À frente da expansão, Soares conta que a Ai-Cha disponibiliza dois modelos de franquia: loja, com 35 m², e quiosque, de 9 m², com foco principal em shopping centers. O investimento parte de R$ 1,2 milhão, incluindo todo maquinário e o primeiro lote de insumos. "A recompra pode ser feita sob demanda e apenas dos insumos que faltam", afirma o executivo. Ainda de acordo com ele, os produtos alimentícios utilizados têm validade para mais de um ano. "O shelf life é longo e a nossa taxa é de desperdício é zero", diz.
O faturamento estimado, com base na média dos outros países, é de R$ 120 mil para loja e de R$ 90 mil para quiosque. A margem de lucro gira em torno de 15% com payback de 12 a 18 meses, considerando igualmente a média global.
Para implementar uma franquia da Ai-Cha, a matriz não cobra royalties e os primeiros franqueados brasileiros estarão isentos do fundo de propaganda e marketing. Soares menciona a cobrança de uma taxa anual e outra de treinamento cujos valores seriam muito pequenos.
A rede não atua com master franqueado, mas apoia multifranqueadores. Soares adianta, sem detalhes, que já foi procurado por investidores, inclusive, com interesse em abrir três operações da marca. O ganho da matriz é na venda dos insumos, não na comercialização das franquias.
Delivery
No mundo, as plataformas de delivery representam pelo menos 40% da receita da Ai-Cha. Logo, o canal está nos planos da empresa no Brasil. Mas, Matheus Diniz condiciona a entrada da marca no sistema ao estudo de distância entre loja e destino para garantir a qualidade dos produtos.
Ele explica que a base das bebidas é de chá verde, cujo processo de oxidação inicia após 30 minutos no copo. Com o passar do tempo, a bebida vai ficando mais amarga e o produto já não fica tão saboroso.
Soares lembra que o sorvete também depende de um tempo preciso de entrega. Por ser um alimento à base de água, quando derrete, não volta à textura original. Ao ser congelado novamente, tende a cristalizar e perder cremosidade.
Por essas razões, as entregas só começarão a ser feitas quando a experiência do cliente for garantida como sendo a mais próxima da loja física.
Ai-Cha no mundo
Fundada em 2019 pelos irmãos Lie, a Ai-Cha soma, hoje, 2 mil franquias ativas em 31 países do sudeste asiático à África. A chegada ao Brasil é parte da estratégia de entrada na América Latina e avanço para a América do Norte.
"A marca entrou em quatro países: Brasil, Argentina, Peru e Chile. No segundo semestre, entra em mais cinco: Bolívia, Equador, Colômbia, Uruguai e Paraguai", destaca Matheus Diniz. O executivo ressalta que, no calendário da marca, as próximas inaugurações fora das nossas fronteiras ocorrem na Argentina, em abril, e no Chile, em maio. O executivo acredita que Peru é o terceiro da lista a abrir uma unidade em julho deste ano.
Mix de produtos adaptados ao brasileiro
Ai-Cha significa "amor ao chá", a bebida preferida dos irmãos Lie e a mais consumida na Ásia. Ao desembarcar no verão de um país tropical, a marca compreendeu que o foco, inicialmente, seriam as bebidas geladas, como sorvetes, smoothies e milk-shakes. Alguns sabores também foram adaptados ao paladar brasileiro e a quantidade de açúcar acrescida em 20% em relação à receita original com o objetivo de ajustar ao paladar local.
Frutas tropicais também foram testadas antes da aprovação final do cardápio e a companhia já está preparada para novos ajustes quando as lojas alcançarem, por exemplo, a região nordeste.
Diniz relata que a invasão K-pop, seguida de filmes, animes e, agora, dos doramas, gerou curiosidade entre os jovens em experimentar bebidas e comidas de origem asiática e que essa demanda, entre outros contextos, favoreceu a vinda da Ai-Cha para o Brasil. A rede tem a própria equipe de expansão, operação e desenvolvimento. Sempre que necessário, funcionários da empresa vão ao país para suporte, negócios e outros.
Ainda que não sejam do gosto da maioria, os chás quentes e gelados são mantidos no portfólio local, que não representa 20% do sortimento de produtos oferecidos na Indonésia. Os souvenirs, por exemplo, ainda não chegaram ao País, mas já têm espaço garantido na unidade da Liberdade.
Gerações Z e Alpha
Se há um desafio do qual as redes mais novas são poupadas é da conexão com a geração Z. As empresas surgem falando a mesma linguagem e sem dificuldade de interagir de forma assertiva.
Com um pinguim como mascote da marca - cuja razão é os Liu gostarem de pinguim -, a comunicação é gerada diretamente para esse público-alvo, que já tem renda própria, é mais aberto à novidade, à experimentação e à experiência.
Os mais jovens, impactados nas redes pelas novidades que chegam ao Brasil, influenciam as decisões da família sobre onde ir e onde comer.
Imagens: Isis Brum/SF