Durante muito tempo, a decisão de investir em uma franquia esteve diretamente ligada à força da marca, à sua visibilidade no mercado e ao apelo comercial. Esses fatores continuam relevantes, afinal, ninguém investe em algo que não transmite confiança. O que mudou, no entanto, foi a forma como o investidor passou a analisar essa escolha.
Atualmente, a marca abre a conversa, mas não encerra a decisão. O investidor quer entender o que sustenta aquele nome no médio e no longo prazo: estrutura, modelo operacional, capacidade de adaptação e previsibilidade. Em um mercado mais maduro, a escolha deixou de ser movida apenas pela percepção e passou a ser orientada por critérios mais técnicos.
Essa mudança reflete um franchising que também evoluiu. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que o setor segue em crescimento consistente no Brasil, impulsionado por redes mais organizadas e por um perfil de investidor cada vez mais criterioso. Hoje, quem busca uma franquia chega mais informado, faz mais perguntas e demonstra menor tolerância a modelos baseados apenas em promessas de retorno rápido.
No turismo, esse movimento é bastante evidente. Setor historicamente relevante para a economia brasileira, o turismo passou por um processo acelerado de profissionalização nos últimos anos. A retomada das viagens, o fortalecimento do turismo doméstico e a mudança no comportamento do consumidor exigiram modelos de negócio mais estruturados, com processos claros, inteligência comercial e gestão eficiente.
O crescimento do setor continua acontecendo, mas de forma diferente do passado. Mais do que volume, o mercado passou a demandar planejamento, diversificação de produtos, relacionamento sólido com fornecedores e uma leitura mais precisa do perfil do viajante. O consumidor está mais exigente, mais informado e busca experiências personalizadas, o que impacta diretamente a operação das agências.
Nesse cenário, previsibilidade se tornou um ativo central. Não no sentido de eliminar riscos, algo inexistente em qualquer atividade empresarial, mas de oferecer clareza operacional, histórico de desempenho e ferramentas que permitam ao franqueado planejar e tomar decisões com maior segurança.
Na TZ Viagens, essa leitura de mercado se reflete tanto na estrutura da rede quanto no perfil dos novos franqueados. O crescimento para mais de 300 unidades ativas, entre agências físicas e agências home office, não foi resultado de movimentos impulsivos, mas da consolidação de um modelo que prioriza suporte, diversidade de fornecedores e autonomia com responsabilidade. Cada novo franqueado chega menos interessado apenas no nome da marca e mais atento ao funcionamento do negócio no dia a dia.
O turismo deixou de ser visto como uma oportunidade pontual e passou a ser tratado como um negócio de gestão. O papel do agente evoluiu para o de consultor, enquanto o franqueado assumiu uma posição mais estratégica, com maior protagonismo na operação e na relação com o cliente. Esse movimento naturalmente afasta investidores em busca de atalhos, mas atrai empreendedores dispostos a construir algo consistente.
O investidor atual continua valorizando marcas fortes, mas espera mais do que reconhecimento. Busca previsibilidade, estrutura e visão de longo prazo. As redes que compreenderem essa mudança não apenas seguirão crescendo, como farão isso de forma mais sólida e sustentável.
Paulo Manuel é fundador e CEO da TZ Viagens
Imagem: Canva
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