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Brasilcore e Copa 2026: quando a estética vira negócio e o que isso revela sobre consumo e renda no Brasil

Brasileiros têm o hábito de combinar peças esportivas com vestuário casual e de personalizar esses itens

Brasilcore e Copa 2026: quando a estética vira negócio e o que isso revela sobre consumo e renda no Brasil
Aluízio de Freitas Publicado em 24 de Abril de 2026 às, 16h03.

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A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas já movimenta uma cadeia que vai muito além do esporte. Nas ruas, nas redes e no varejo, o que se vê é a consolidação de um comportamento que começou tímido em 2022 e, agora, ganha tração: o Brasilcore deixou de ser apenas estética e passou a influenciar diretamente a forma como as pessoas consomem moda.

Camisas de futebol, antes restritas aos dias de jogo, aparecem combinadas com peças casuais, ganham customizações e entram no cotidiano. Mais do que tendência, o movimento aponta para uma mudança de lógica. Em vez de comprar mais, o consumidor busca transformar o que já tem, seja por estilo, seja por necessidade.

Esse cenário dialoga com uma indústria que já vinha em transformação. Relatório da McKinsey & Company, em parceria com a Business of Fashion, mostra que o sportswear segue entre os segmentos mais consistentes da moda global, com crescimento anual na faixa de 6% a 8%, podendo ultrapassar esse patamar em mercados emergentes. Já dados da Statista indicam que o setor deve ultrapassar US$ 450 bilhões até 2028.

No Brasil, esse movimento ganha contornos próprios. A busca por alternativas mais acessíveis e personalizadas tem impulsionado serviços e formações ligadas à costura. A Sigbol, uma das escolas mais tradicionais de moda e costura do País, registrou aumento de 55% na procura por cursos no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A maior parte desse crescimento está ligada a cursos de costura e customização.

O dado ajuda a explicar uma mudança mais ampla. Habilidades que por anos ficaram à margem voltam ao centro da discussão, agora, conectadas à geração de renda. Ajustar, transformar e criar peças deixa de ser apenas uma alternativa doméstica e passa a ser visto como oportunidade de negócio especialmente em um cenário de consumo mais cauteloso.

Modelos baseados em personalização, serviços e produção sob demanda ganham espaço em um mercado que valoriza identidade, mas também preço. Em vez de competir apenas por produto, cresce a relevância de quem consegue oferecer adaptação e experiência.

Eventos como a Copa do Mundo funcionam como aceleradores desse tipo de comportamento. Ao transformar símbolos esportivos em linguagem cultural, ampliam o alcance de tendências que, em outro contexto, levariam mais tempo para se consolidar. No caso brasileiro, isso vem acompanhado de um elemento adicional: a exportação de uma estética própria, que mistura cor, informalidade e referência cultural.

O Brasilcore, nesse sentido, é menos sobre moda e mais sobre leitura de momento. Ele expõe um consumidor que quer se reconhecer no que veste, mas que também precisa fazer escolhas mais racionais. No meio desse cruzamento, surgem novas demandas e, com elas, novos negócios.

Aluizio de Freitas* é diretor da Sigbol
Imagem: Freepik

*O artigo publicado não reflete, necessariamente, a visão o Portal Sua Franquia, sendo, as opiniões expressas, de responsabilidade do autor.

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