De empregado a patrão com um negócio já estruturado

Enviado em 30/08/2011 às 17:40:56

Com crescimento de 20,4% em 2010 na comparação com o ano anterior e faturamento de mais de R$ 75 bilhões, o setor de franquias desponta como uma excelente oportunidade para quem sonha com o negócio próprio. Os riscos do empreendedorismo são minimizados pelo fato de a marca, na maioria dos casos, já estar consolidada no mercado e a diversidade de áreas de atuação e modelos de negócio complementam a lista de atrativos.

Se a taxa de mortalidade de empresas no Estado de São Paulo é de 27% no primeiro ano de atuação de acordo com pesquisas do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a redução é bastante considerável quando se trata de franquia - cai para 1% segundo o diretor executivo da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Ricardo Camargo.

O fato está entre as justificativas para o crescimento considerável das franquias no ano passado, ao lado de itens como o aumento da classe C, a mudança de perfil do mercado de trabalho - pela primeira vez, o Brasil vive uma fase de pleno emprego - e, ainda, aos 43% do PIB atualmente destinados a crédito.

O cenário é positivo, mas franquia não é sinônimo apenas de investimento financeiro. “É pessoal também”, enfatiza Ricardo, comentando que o empreendedor precisa se identificar com o negócio. “É o começo de tudo.”

Foi justamente esse um dos principais pontos considerados por Antonio Carlos Zaparoli quando, em agosto de 2003, se tornou um empreendedor. “Sempre tive em mente apostar na área de alimentação pelo simples fato de ser o último setor atingido em tempos de crise, por exemplo”, justifica.

E se entre as características necessárias para um empreendedor está “ser uma pessoa disposta a correr riscos” de acordo com o gerente regional do Sebrae, Antônio Carlos de Aguiar Ribeiro, Zaparoli representa bem a teoria - ele entrou para o universo do empreendedorismo assumindo uma franquia da rede Giraffas, no Maxi Shopping, exatamente em momento de crise. “A própria franqueadora não acreditava mais no potencial da loja de Jundiaí.”

Hoje, contudo, a história descrita mostra uma trajetória de sucesso. O empreendedor conta com três franquias da rede na cidade - no hipermercado Extra da avenida Antonio Frederico Ozanan e no Russi da Vila Hortolândia, além da loja no Maxi Shopping, uma das unidades da rede que mais vendem no Estado de São Paulo. Segundo Zaparoli, suas franquias em Jundiaí são expoentes em nível nacional. E são mais de 340 restaurantes Giraffas em todo o país.

“Quando tem convenção com os franqueados fico até constrangido porque todo mundo quer conhecer o dono das franquias de Jundiaí. Costumo dizer que não faço nada demais, a verdade é que tem muita gente por aí que faz menos do que deveria”, diz, com simplicidade. No início da empreitada, Zaparoli chegou a lavar pratos e trabalhava mais de 14 horas por dia.

Embora o modelo de franquia dê mais segurança, há desafios incontáveis a serem superados. “No meu caso, o principal foi montar uma boa equipe. Gosto de dizer que tenho tido a felicidade de contar com bons profissionais”, enfatiza, comemorando o fato de a mulher, os dois filhos e uma das noras hoje fazerem parte do negócio também. “No ano que vem, quando abir a nova franquia no shopping da 9 de Julho, a ideia é que a outra nora também faça parte da equipe.”

Os quatro mais promissores
Alimentação, moda, saúde e educação são áreas que se destacam quando se trata de franquias. Também tem aumentado a representatividade de setores como turismo e informática de acordo com o diretor executivo da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Ricardo Camargo.

Planejamento dos custos de instalação
O franqueador calcula a construção e instalação da nova unidade, com base na unidade-padrão. Num negócio independente, os custos podem fugir da previsão.

Economia de escala em publicidade
Os custos de propaganda são rateados entre os franqueados, havendo redução nos investimentos e é possível melhorar a qualidade da propaganda.

Independência jurídica e financeira
Apesar da autonomia não ser total, o franqueado possuirá independência jurídica e financeira em relação ao franqueador, tando sua própria razão social.

Pesquisa e desenvolvimento
O custeio da pesquisa e desenvolvimento de novos produtos caberá inteiramente ao franqueador, que os testará em suas unidades antes de lançá-los na rede.

Oportunidades variadas no setor de turismo
De representante da TAM Viagens há mais de dez anos em Sorocaba, Emília Delgado Lanças, 49, se tornou proprietária de três lojas da franquia quando a empresa adotou o modelo de franquias, no ano passado. E foi isso o que abriu possibilidade de atuação em Jundiaí - desde fevereiro deste ano funciona a TAM Viagens no Shopping Paineiras. “O modelo de franquia me deu segurança para crescer porque conto com todo um suporte da franqueadora Auxiliaram até mesmo na escolha do local”, diz. Hoje, a unidade de Jundiaí se destaca no ranking de franquias da rede. “Havia demanda na cidade.”

Perfil de empreendedor
Pessoas de 25 a 50 anos e com nível superior completo. Esse é o perfil do empreendedor brasileiro de acordo com o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo. O que chama a atenção é o número de mulheres que tem se tornado donas do próprio negócio. “Elas já representam de 35% a 40%, bastante significativo”, avalia, lembrando que é preciso ter recurso próprio de pelo menos 50% do valor do investimento para capital de giro.

20%
É o quanto corresponde o setor de alimentação entre o faturamento anual de franquias no Brasil.

Quando empreender é mais do que uma oportunidade
Um sonho foi realizado quando Marcelo Bomeisel Gasparoto, 38 anos, abriu sua primeira franquia da marca Mil-Milkshakes no bairro Jacaré, em Cabreúva, há quase três anos. Mas o sucesso da empreitada só se justifica pela determinação, horas e horas de dedicação ao trabalho e visão estratégica para os negócios - o que rendeu oportunidade para crescer rápido: a segunda franquia da mesma rede foi aberta em Jundiaí, na Vila Arens, há quase um ano.

“Trabalhava na área financeira em São Paulo, mas estava descontente. Em 2007, quando decidi realmente empreender, fui atrás de buscar informações sobre o mercado e conhecer as possibilidades”, explica. Marcelo seguiu à risca as dicas de especialistas. Fez curso de empreendedorismo no Sebrae, participou de feiras de franquias da ABF, foi atrás de conhecer as experiências de franqueados da marca e, ainda, investiu tempo na elaboração de um detalhado plano de negócios.

Até mesmo a questão da sazonalidade do mercado em que atua foi considerada. “Abri consciente de que, no inverno, a queda do faturamento chega a 30% e de que é preciso ter estratégias para lidar com isso”, conta. 

Com o sonho do empreendedorismo, a opção pela franquia se justifica pela maior segurança. “Hoje, se quiser formatar o meu negócio, eu sei como fazer isso. A franquia me deu essa base.” No caso de Marcelo, o maior desafio foi a gestão de pessoas. “Nunca tinha liderado uma equipe, mas gosto de me relacionar com as pessoas”, conclui.

Oportunidade bem aproveitada no mundo da moda
De representante comercial a dono de três lojas da franquia Pink Biju, Elias Gabriel Pena, 54, conta que o modelo de negócio foi o que chamou a atenção. “As mulheres são um público que, comprovadamente, consomem mais. E bijuterias têm custo acessível a todo mundo, ao contrário de joias”, explica. Neste nicho de mercado, a principal facilidade por fazer parte de uma rede é não precisar se preocupar com fornecedores nem com conhecimento profundo a respeito de tendências da moda. “A franqueadora me oferece tudo isso, estou bastante satisfeito com o negócio.”

Últimas Notícias

Mídias Sociais

104K

Follow

14K

Follow