Oscar Freire – a vitrine mais reluzente do Brasil

A Rua Oscar Freire, em São Paulo, sempre foi o endereço mais lembrado por ter as grandes grifes nacionais e, principalmente, as internacionais. Foram lá, e nos seus arredores, que vimos as primeiras lojas de luxo abertas no Brasil, como Dior, Montblanc, Cartier, MaxMara, Ermenegildo Zegna, Versace, Diesel, Cavalli, Bulgari, Salvatore Ferragamo, Marc Jacobs, Gant, Häagen-Dazs, Nespresso, entre outras (ufa!). Considerada uma das oito ruas mais luxuosas do mundo e a segunda no continente americano – só perde para a 5ª Avenida em Nova Iorque (há controvérsias); de fato é uma rua que esbanja glamour e sofisticação. É inegável o charme e a elegância das pessoas, das vitrines produzidas, das calçadas reurbanizadas, dos restaurantes....
 
Instalar uma loja neste endereço tem o seu preço. Recentemente, a Natura pagou R$ 5,5 milhões pelo ponto de 316m² na esquina com a Rua Haddock Lobo e um aluguel mensal de R$ 55 mil. Este local vai dar lugar a uma loja de dois andares da Natura. Mas há registros de empresas que já pagaram luvas de até R$ 60 mil/m2 para conquistar um espaço por lá.
 
Mas o que faz empresas como a Natura abrir loja na Oscar Freire? Há pouco tempo vimos a abertura de lojas que não são propriamente grifes de luxo, mas...digamos... marcas democráticas. Lojas conceituais ou Flagship Stores da Melissa, Havaianas, Citroën, agora contam com a companhia recente de marcas como Lupo, Kopenhagem, Chilli Beans e, em breve, a Riachuelo. Esta, por sinal, tem causado verdadeiro frisson antes mesmo de abrir as portas, já que personifica uma moda mais popular, adepta do fast fashion e, portanto, destoando das badaladas grifes instaladas por ali. A decisão faz parte de um projeto de sofisticação de marca que vai ajudar a rede a dobrar o número de lojas e triplicar a receita para 10 bilhões de reais até 2016. A loja da Oscar Freire terá, portanto, a missão de dar uma percepção melhor dos seus produtos aos olhos do consumidor.
 
O curioso é que, andando pela extensão da rua e nas suas transversais, notamos diversas lojas fechadas ou com a placa afixada de “aluga-se”. O índice de lojas que encerram suas atividades na região é um dos mais altos de São Paulo. Muito em função de que a Oscar Freire: é uma rua que certamente dá glamour para as marcas que lá se estabelecem, mas na maioria dos casos, os altos custos dos alugueis e do investimento em luvas, não fecham a conta. É ilusão achar que as lojas localizadas na região estão entre as de melhores vendas entre as filiais das suas redes. A equação “investimento inicial alto + custos de ocupação altos + vendas medianas” faz com que somente as redes que encaram a operação como investimento em marketing permaneçam com suas lojas de forma mais longeva. Franqueados ou lojistas que dependem do faturamento mensal para pagarem suas despesas mensais não conseguem ter fôlego para manterem a operação por muito tempo. Sofisticação tem o seu preço.
 
Marcos Hirai , sócio-diretor da BG&H Real Estate.

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