O ESG na estratégia corporativa

Por Alaércio Nicoletti*

 

O ESG não necessita mais ser apresentado. Inclusive, a sigla para ambiental (environmental), social e governança corporativa está tão arraigada nas publicações, webinars e debates que dispensa ser descrita.
 

Os investidores também consideram a sustentabilidade como um ativo corporativo, no sentido da dupla materialidade e na observação dos impactos inerentes às atividades organizacionais que são a tradicional materialidade financeira, orientando-se pelas bases de desenvolvimento, desempenho, posição no mercado e os potenciais impactos ambientais e sociais para as partes interessadas - stakeholders.
 

Talvez por isso esteja cada vez mais presente a representação e a pauta de ESG nos conselhos das empresas, além da formação do Comitê ESG para direcionar suas prioridades para o board.
 

A Sustentabilidade tem que ser vista como uma estratégia, contemplando conteúdo competitivo e fundamental para a obtenção de investimentos a taxas atrativas. Assim, o próprio Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC [Instituto Brasileiro Governanca Corporativa] descreve como missão do Conselho Administrativo “garantir que os temas de sustentabilidade estejam vinculados às escolhas estratégicas, aos processos decisórios, aos impactos na cadeia de valor e aos relatórios periódicos”.
 

Instituições como a Bolsa de Valores (B3) têm criado indicadores como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), para aferição do comprometimento das organizações com a agenda da sustentabilidade e acompanhamento do desempenho de tais carteiras que comprovam serem mais rentáveis a médio-longo prazo. Em 2022, estima-se que ocorra a emissão de títulos sustentáveis atingindo a marca recorde de US$ 1,35 trilhão no mundo, sendo que o Brasil também vem numa tendência crescente, tendo superado os US$ 16 milhões em 2021.
 

O Relatório de Riscos Globais 2022, levantamento do Fórum Econômico Mundial, sinaliza os oito maiores riscos em escala global nos próximos 10 anos, que indica somente tópicos ambientais e sociais referentes ao ESG, tais como: falhas em ações climáticas, climas extremos e crise de subsistência. Soma-se a esse cenário a chamada das empresas para o protagonismo da agenda ambiental no discurso de abertura e na agenda da COP 26 [Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima].
 

É natural que tal tema seja prioridade estratégica e reflita nos investimentos e na seleção natural dos produtos e serviços de empresas que genuinamente tratem dessa pauta. Com a prática do cancelamento, as pessoas simplesmente deixam de consumir de determinada organização por ações como o greenwashing ou o simples descaso ambiental ou social. Assim, os esforços corporativos, no sentido da sustentabilidade, devem ser autênticos e estarem relacionados efetivamente com o core business da organização.

 

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*SOBRE - ALAÉRCIO NICOLETTI

Alaercio Nicoletti Junior é professor da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), coordenador do Hub de inovação e da pós-graduação em Engenharia de Sustentabilidade do Mackenzie e Head de Sustentabilidade e Melhoria Contínua no Grupo Petrópolis.

 

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) está na 71ª posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa Times High Education 2021, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Comemorando 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

 

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