A forte concorrência e a alta nos aluguéis comerciais nas capitais têm levado muitas redes de franquias em expansão a buscar o interior do país. Para atuar em cidades de menor porte, elas criaram formatos compactos de unidades, com menos serviços ou mesmo com descontos no valor de investimento inicial.
A Easycomp Plus (cursos profissionalizantes), por exemplo, criou um modelo de microfranquia para municípios com menos de 30 mil habitantes. O investimento inicial é a partir de R$ 47 mil. Cacau Show, Instituto Embelleze, Microlins e Sorridents também lançaram formatos exclusivos para o interior, com investimentos entre R$ 49 mil e R$ 350 mil.
Segundo o diretor-executivo da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Ricardo Camargo, as cidades pequenas oferecem várias vantagens para os empresários. Melhor qualidade de vida, concorrência menos acirrada e economia com aluguéis são os principais atrativos. “O custo imobiliário é entre 30% e 40% mais barato no interior”, afirma.
Para Camargo, a elevação da renda da população combinada com a chegada de shoppings e indústrias aos munícipios interioranos criou um cenário propício para as franquias se instalarem. “Cidades onde apenas 5.000 consumidores podiam comprar, agora 30 mil podem”, diz.
No entanto, o diretor-executivo da ABF afirma que a recuperação do investimento tende a ser mais lenta no interior, em até quatro anos. Nas capitais, o franqueado tem o retorno em três anos, em média. “Com menos público e menos poder de renda, a lucratividade é menor e prolonga o retorno do investimento.”
Marca consolidada nas capitais pode ser recusada no interior
De acordo com o professor de marketing do MBA em varejo da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), Antonio Bruno de Carvalho Junior, em cidades menores, o franqueado pode se deparar com uma escassez de mão-de-obra qualificada para trabalhar no operacional.
Além disso, uma franquia já consolidada nas capitais precisa se adaptar à cultura regional. Caso não consiga, ela corre o risco de não obter aceitação do público local.
“No interior do Nordeste, por exemplo, existem as festas de São João no meio do ano. O empresário precisa ter algo alusivo àquela data, senão ele é visto como antipático. Nas cidades onde tem rodeio, tem de fazer algo alusivo à festa”, declara.
Para evitar investir em uma franquia sem aceitação do público regional, Carvalho Junior recomenda uma pesquisa prévia. A aceitação da marca no círculo de amigos do empreendedor deve ser checada. Depois, verifica-se o tempo da empresa no mercado e a relação dela com seus franqueados. “Assim como o franqueador avalia, ele também deve ser avaliado.”